terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Pelo direito de ser você mesma / The right to be yourself

Somos seres bem complexos, possuímos diversas variáveis que as vezes nem conseguimos ter compreensão direito das coisas que acontecem.
Individualmente temos nossas crenças, gostos e traumas. Porém trazemos individualmente crenças que vieram com nossas histórias de família e do meio social que vivemos.
Fomos influenciados por ancestralidades que nem conhecemos e somos sufocados e pressionados pela sociedade.
Porém, cada um vem com seus carmas.
O que funciona para você, não vai funcionar para o outro, pois somos infinitas variáveis.
Não somos moldes, por isso luto pelo direito de ser eu mesma.


We are complex beings, we have several variables that sometimes we can not even have the right understanding of what happens.
Individually we have our beliefs, tastes and trauma. But individually we bring beliefs that came with our family histories and social environment we live in.
We were influenced by ancestries that not know and we are overwhelmed and pressured by society.
But each comes with their karma.
What works for you will not work for the other, for we are many variables.
We are not mold, so fight for the right to be myself.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

No caminho de volta: Um convite / On the way back: An invitation

Um Convite

Quase um ano se passou e muitas coisas e mudanças aconteceram.
Histórias não foram escritas. Sei o quanto é difícil escrever a sua própria história.
O objetivo do " A VOZ NÃO TEM COR" é apresentar histórias de pessoas, histórias de vida que podem aproximar os seres humanos, e diminuírem seus preconceitos.
Segundo a autora turca Elif Shafak, esta tem uma teoria herdada de sua avó que dizia que se quisermos destruir algo nessa vida, tudo o que precisamos fazer é cerca-la em muros.  Todos nós vivemos em algum tipo de círculo social e cultural. Todos nascemos em uma família, país ou classe social.
Se não tivermos conexão com outros mundos, além daquele que temos como certo então também corremos o risco de secarmos por dentro.
Nossa imaginação pode encolher, nossos corações podem diminuir e nossa humanidade pode definhar se ficarmos por muito tempo dentro de nossos casulos culturais.
O círculo em que vivemos rodeados de família, amigos que se parecem conosco, nos mostra o quanto estamos cercados com nossa imagem no espelho.
Não é saudável para um ser humano passar muito tempo olhando seu próprio reflexo, por isso na Turquia existe uma velha tradição em que as mulheres cobrem o espelho com um veludo ou penduram na parede de trás para frente.
Temos a tendência a nos agruparmos com base em semelhanças, então criamos estereótipos em outros grupos de pessoas.
Portanto uma forma de transcender esses guetos culturais seria através da arte de contar histórias, que é o que proponho nesse espaço.
As histórias nos aproximam do outro. Ouvindo elas podemos até mesmo gostarmos do que vemos.
As histórias se movem e conectam toda a humanidade.
Termino com um convite para você participar desse espaço.

"Sinto, logo sou livre " (Audre Lorde)


An invitation

 
Almost a year has passed and many things and changes have taken place.
 S
tories were not written. I know how hard it is to write your own story.
 
The goal of "THE VOICE HAS NO COLOR" is to present stories of people, life histories that may approach humans beings lower their prejudices.
 
Listening to Turkish author Elif Shafak, this theory has inherited from his grandmother saying that if we want to destroy something in this life, all we need do is about it on walls. We all live in some kind of social and cultural circle. We are all born into a family, country, or social class.
 
If we have no connection with the worlds beyond that we have for granted then also we run the risk of secarmos inside.
 
Our imagination might shrink, our hearts may decrease and our humanity can wither if we stay for too long inside our cultural cocoons.
 
The circle in which we live surrounded by family, friends who look like us, shows us how we are surrounded with our mirror image.
 
It's not healthy for a human being to spend much time looking at his own reflection, so in Turkey there is an old tradition in which women cover the mirror with a velvet or hanging on the wall backwards.
 
We tend to we group on the basis of similarities, so we created stereotypes in other groups of people.
 
So one way of transcending these cultural ghettos would be through the art of storytelling, which is what I propose in this space.
 
The stories bring us closer to each other. Listening they can even like what we see.
 
The stories move and connect all humanity.
 
I conclude with an invitation to participate in this space.

 
"I feel, therefore I am free" (Audre Lorde)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Apresentação




Meu nome é Thaís Rosa, tenho 32 anos, carioca, moradora do Méier, zona norte do Rio de Janeiro.
Apesar de ter crescido no bairro, sempre frequentei outras partes da cidade. Tive contato com zona sul e norte desde pequena, o que me permitiu frequentar esses dois mundos tão diversos. 
Sempre viajei, essa sempre foi a minha paixão e viajar me ensinou a olhar o mundo de outra forma, a não me importar com questões que são grandes para outras pessoas.
Vivi num bairro de classe média e sempre fui a única menina negra nos ambientes: Na escola, nas aulas de dança (balé, jazz e sapateado).
Minhas únicas referências de mulheres negras eram minha mãe e avó, enquanto para meus amigos a referência que tinham de negras eram suas empregadas.
Estar num ambiente branco me deixou confusa por muito tempo.
Uma amiga uma vez me disse que não parecia negra. Afinal o que ela queria me dizer com isso?
Depois ela me disse que não agia como os negros favelados que gritavam ou se vestiam de forma vulgar.
Ah, então era isso que era ser negra?
Esse esteriótipo me incomodava. Isso não é ser negro, e afinal o que é ser negra?
Porque as pessoas simplesmente não são como são, o que importa a cor da pele?
Mas ela importa. Ao longo dos anos comecei a perceber isso.
Como referência em casa, tive uma avó pernambucana que me educou me ensinando a tratar todo mundo igual, então falávamos com todos a nossa volta.
Porém não me passou muitas referências de sua cultura. Por ter trabalhado muitos anos em casas de famílias brancas de classe média alta, queria nos passar essa educação. A sua não tinha tanto valor assim, mas lembro que pedia para contar histórias de sua infância no sertão de Pernambuco, me ensinar a fazer algum quitute e cantar alguma música.
Queria que eu ficasse longe da cozinha e que estudasse para ser independente e não depender de ninguém.
Isso que aprendi desde pequena: a estudar para ter minha liberdade. E cá estou agora, terminando o mestrado em Memória Social. Ainda tenho muitos caminhos a percorrer.
Comecei a me incomodar em ser sempre a única mulher negra nos lugares. Estamos em toda a parte, não somos invisíveis.
Queria que essas mulheres assim como eu fossem vistas como iguais e valorizadas pelo que são, independente da cor de sua pele.
Sempre acreditei num mundo em que as pessoas pudessem se tratadas simplesmente pelo que são, independente de onde mora, da roupa que veste ou de sua conta bancária.
Queria ser olhada sem preconceitos e que não me olhassem sempre achando que sou menos.
Esse blog tem o intuito de  dar voz e visibilidade para pessoas que não são invisíveis.
Estamos aqui para contarmos nossas histórias e nos aproximarmos de outras.
A sua VOZ NÃO TEM COR!!!!


domingo, 21 de dezembro de 2014

Um desabafo 

Cresci num ambiente branco, estudei em escolas de classe média a vida toda e sempre fui a única aluna negra da sala, exceto na oitava série que tinha mais dois alunos, sendo uma mulher. Em treze anos foi a primeira vez que tive uma aluna negra que nem eu na mesma turma.
Quando criança, além de ser a diferente de todos, ainda tinha mais um agravante: ser a maior da turma.
Nas festas de final de ano na escola era uma dificuldade enorme arrumarem um par para dançar comigo. ninguém queria dançar. Não foi fácil para mim.
Os meus amigos da escola diziam que eu não parecia negra e eu não conseguia entender o que estavam querendo me dizer com isso. Pediam para me explicar e falavam que eu não agia como os negros que moravam em favelas que gritavam pelas ruas ou como as suas empregadas. Eles tratavam suas empregadas como lixos. Eu também tinha empregada em casa e sempre fui ensinada a tratar todos igualmente. Talvez por minha avó ter sido babá, não sei, mas ela me ensinou a falar com todos igualmente porteiros, serventes, doutores.
Para mim sempre foi difícil não ter uma referência.
Na adolescência comecei a ser considerada "exótica". A única referencia que existia de mulher negra era a Naomi Campbell.