Meu nome é Thaís Rosa, tenho 32 anos, carioca, moradora do Méier, zona norte do Rio de Janeiro.
Apesar de ter crescido no bairro, sempre frequentei outras partes da cidade. Tive contato com zona sul e norte desde pequena, o que me permitiu frequentar esses dois mundos tão diversos.
Sempre viajei, essa sempre foi a minha paixão e viajar me ensinou a olhar o mundo de outra forma, a não me importar com questões que são grandes para outras pessoas.
Vivi num bairro de classe média e sempre fui a única menina negra nos ambientes: Na escola, nas aulas de dança (balé, jazz e sapateado).
Minhas únicas referências de mulheres negras eram minha mãe e avó, enquanto para meus amigos a referência que tinham de negras eram suas empregadas.
Estar num ambiente branco me deixou confusa por muito tempo.
Uma amiga uma vez me disse que não parecia negra. Afinal o que ela queria me dizer com isso?
Depois ela me disse que não agia como os negros favelados que gritavam ou se vestiam de forma vulgar.
Ah, então era isso que era ser negra?
Esse esteriótipo me incomodava. Isso não é ser negro, e afinal o que é ser negra?
Porque as pessoas simplesmente não são como são, o que importa a cor da pele?
Mas ela importa. Ao longo dos anos comecei a perceber isso.
Como referência em casa, tive uma avó pernambucana que me educou me ensinando a tratar todo mundo igual, então falávamos com todos a nossa volta.
Porém não me passou muitas referências de sua cultura. Por ter trabalhado muitos anos em casas de famílias brancas de classe média alta, queria nos passar essa educação. A sua não tinha tanto valor assim, mas lembro que pedia para contar histórias de sua infância no sertão de Pernambuco, me ensinar a fazer algum quitute e cantar alguma música.
Queria que eu ficasse longe da cozinha e que estudasse para ser independente e não depender de ninguém.
Isso que aprendi desde pequena: a estudar para ter minha liberdade. E cá estou agora, terminando o mestrado em Memória Social. Ainda tenho muitos caminhos a percorrer.
Comecei a me incomodar em ser sempre a única mulher negra nos lugares. Estamos em toda a parte, não somos invisíveis.
Queria que essas mulheres assim como eu fossem vistas como iguais e valorizadas pelo que são, independente da cor de sua pele.
Sempre acreditei num mundo em que as pessoas pudessem se tratadas simplesmente pelo que são, independente de onde mora, da roupa que veste ou de sua conta bancária.
Queria ser olhada sem preconceitos e que não me olhassem sempre achando que sou menos.
Esse blog tem o intuito de dar voz e visibilidade para pessoas que não são invisíveis.
Estamos aqui para contarmos nossas histórias e nos aproximarmos de outras.
A sua VOZ NÃO TEM COR!!!!
A sua VOZ NÃO TEM COR!!!!

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