domingo, 21 de dezembro de 2014

Um desabafo 

Cresci num ambiente branco, estudei em escolas de classe média a vida toda e sempre fui a única aluna negra da sala, exceto na oitava série que tinha mais dois alunos, sendo uma mulher. Em treze anos foi a primeira vez que tive uma aluna negra que nem eu na mesma turma.
Quando criança, além de ser a diferente de todos, ainda tinha mais um agravante: ser a maior da turma.
Nas festas de final de ano na escola era uma dificuldade enorme arrumarem um par para dançar comigo. ninguém queria dançar. Não foi fácil para mim.
Os meus amigos da escola diziam que eu não parecia negra e eu não conseguia entender o que estavam querendo me dizer com isso. Pediam para me explicar e falavam que eu não agia como os negros que moravam em favelas que gritavam pelas ruas ou como as suas empregadas. Eles tratavam suas empregadas como lixos. Eu também tinha empregada em casa e sempre fui ensinada a tratar todos igualmente. Talvez por minha avó ter sido babá, não sei, mas ela me ensinou a falar com todos igualmente porteiros, serventes, doutores.
Para mim sempre foi difícil não ter uma referência.
Na adolescência comecei a ser considerada "exótica". A única referencia que existia de mulher negra era a Naomi Campbell.

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